Economia
Guerra no Médio Oriente
Quanto mais vão pagar os europeus para atestar o carro?
O petróleo a 100 dólares por barril significa preços mais elevados na União Europeia e no Reino Unido, aumentando as poupanças para quem tem veículos elétricos.
Os condutores europeus poderão enfrentar um aumento de 220 euros por ano nos postos de abastecimento de combustível devido ao aumento dos preços do petróleo provocado pela guerra no Irão, alertaram os analistas ouvidos pelo jornal britânico Guardian.
No Reino Unido, uma estimativa separada aponta para um custo adicional de 140 libras.
Um preço sustentado do petróleo a 100 dólares por barril, o nível observado na segunda-feira, significaria que os condutores na União Europeia pagariam mais 55 mil milhões de euros ao longo de um ano, estimaram os investigadores do think tank Transport & Environment (T&E).
Isto equivale a uma média de 220 euros por condutor, com aqueles que percorrem grandes distâncias a enfrentarem aumentos ainda maiores.
A avaliação foi feita através da comparação de dados de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia elevou o preço do petróleo para 100 dólares, com dados de 2017 a 2019.No Reino Unido, os analistas da Unidade de Inteligência Energética e Climática (ECIU) estimam que um barril de petróleo a 100 dólares significa que os condutores britânicos que percorrem 12.875 quilómetros por ano enfrentarão um aumento de 140 libras nos custos anuais de combustível.
Este cálculo baseia-se na comparação com os preços dos combustíveis no início de março, antes dos ataques dos EUA e de Israel ao Irão.
Os veículos elétricos já são significativamente mais baratos de abastecer do que os veículos a gasolina ou a gasóleo, mas a subida dos preços do petróleo está a alargar ainda mais esta diferença.
No Reino Unido, a poupança anual já era de 870 libras, mas saltaria para mais de mil libras com o preço do petróleo a cotar nos 100 dólares, segundo a ECIU.
Os 7,7 milhões de carros elétricos que circulam atualmente nas estradas da União Europeia já estão a reduzir o consumo de petróleo, mas com o preço do petróleo a cotar nos 100 dólares, os condutores europeus de veículos elétricos poupariam cerca de 40 milhões de euros por dia, segundo a T&E.
O petróleo Brent estava a cotar nos 91 dólares na manhã de quarta-feira, e o seu preço futuro dependerá da duração da interrupção do fornecimento.“A dependência da Europa em relação ao petróleo cria um prémio geopolítico sempre que há volatilidade global”, disse Antony Froggatt, da T&E ao Guardian.
“Isto continuará a pressionar as famílias e a prejudicar a economia europeia, a menos que acabemos estruturalmente com a nossa dependência dos combustíveis fósseis importados. Donald Trump e os seus aliados na Rússia e na Arábia Saudita têm muito poder, mas uma coisa que não controlam é o vento e o sol. A Europa deve agora dar prioridade aos veículos elétricos, às bombas de calor e às energias renováveis para garantir que isto nunca mais acontece”, acrescentou.
Para Colin Walker, da ECIU, “tudo isto faz lembrar muito a subida do preço do petróleo após a invasão da Ucrânia pela Rússia e é um lembrete contundente de que o Reino Unido não tem controlo real sobre o preço do petróleo. Muito se tem falado sobre segurança energética e perfuração no Mar do Norte, mas a realidade é que isso não tornará estes choques frequentes de preços mais suportáveis para os condutores britânicos”.
Os choques no preço do petróleo são extremamente rentáveis para as empresas petrolíferas e para os Estados produtores.
Em 2022, com o preço do petróleo a cotar nos 100 dólares por barril, as cinco maiores empresas cotadas em bolsa – BP, Shell, TotalEnergies, Chevron e ExxonMobil – lucraram quase 200 mil milhões de dólares. A indústria do petróleo e do gás como um todo obteve cerca de mil milhões de dólares por ano em lucro líquido durante o último meio século, e substancialmente mais em anos com preços mais elevados.
A regulamentação dos lucros extraordinários do setor energético na União Europeia recuperou parte desses lucros em 2022 e 2023, mas esta medida já expirou. A UE deve estar preparada para o reintroduzir rapidamente em caso de aumento prolongado dos preços da energia, acrescentou a Transport & Environment .
Um imposto extraordinário continua em vigor no Reino Unido, e a ministra das Finanças, Rachel Reeves, foi alertada pelos especialistas de que atender aos apelos da indústria para o flexibilizar não beneficiaria os consumidores já sobrecarregados.
Os 55 mil milhões de euros adicionais pagos pelos condutores da União Europeia em 2022 teriam sido ainda mais elevados se os governos da UE não tivessem renunciado a 30 mil milhões de euros em cortes no imposto sobre os combustíveis, um subsídio aos combustíveis fósseis essencialmente pago pelos contribuintes, sublinhou a T&E.
Diversas políticas ambientais por toda a Europa foram enfraquecidas nos últimos anos, com os políticos de direita a afirmarem que isso reduz os custos. O Transition Security Project estima que o choque energético de 2022 tenha custado à União Europeia e ao Reino Unido 1,8 mil milhões de dólares entre 2022 e 2025.
Os consultores oficiais do governo britânico para o clima afirmaram na quarta-feira que atingir a meta de emissões líquidas zero do Reino Unido até 2050 custaria menos do que um único choque petrolífero, como o decorrente da guerra na Ucrânia, e protegeria o país contra futuros picos nos preços do petróleo.
“Reverter as políticas e medidas para atingir as metas climáticas, como a eliminação gradual dos carros movidos a combustíveis fósseis até 2035, ou adiar a implementação do preço do carbono da União Europeia para o aquecimento e os combustíveis, só nos tornará menos seguros”, rematou Froggatt.
No Reino Unido, uma estimativa separada aponta para um custo adicional de 140 libras.
Um preço sustentado do petróleo a 100 dólares por barril, o nível observado na segunda-feira, significaria que os condutores na União Europeia pagariam mais 55 mil milhões de euros ao longo de um ano, estimaram os investigadores do think tank Transport & Environment (T&E).
Isto equivale a uma média de 220 euros por condutor, com aqueles que percorrem grandes distâncias a enfrentarem aumentos ainda maiores.
A avaliação foi feita através da comparação de dados de 2022, quando a invasão da Ucrânia pela Rússia elevou o preço do petróleo para 100 dólares, com dados de 2017 a 2019.No Reino Unido, os analistas da Unidade de Inteligência Energética e Climática (ECIU) estimam que um barril de petróleo a 100 dólares significa que os condutores britânicos que percorrem 12.875 quilómetros por ano enfrentarão um aumento de 140 libras nos custos anuais de combustível.
Este cálculo baseia-se na comparação com os preços dos combustíveis no início de março, antes dos ataques dos EUA e de Israel ao Irão.
Os veículos elétricos já são significativamente mais baratos de abastecer do que os veículos a gasolina ou a gasóleo, mas a subida dos preços do petróleo está a alargar ainda mais esta diferença.
No Reino Unido, a poupança anual já era de 870 libras, mas saltaria para mais de mil libras com o preço do petróleo a cotar nos 100 dólares, segundo a ECIU.
Os 7,7 milhões de carros elétricos que circulam atualmente nas estradas da União Europeia já estão a reduzir o consumo de petróleo, mas com o preço do petróleo a cotar nos 100 dólares, os condutores europeus de veículos elétricos poupariam cerca de 40 milhões de euros por dia, segundo a T&E.
O petróleo Brent estava a cotar nos 91 dólares na manhã de quarta-feira, e o seu preço futuro dependerá da duração da interrupção do fornecimento.“A dependência da Europa em relação ao petróleo cria um prémio geopolítico sempre que há volatilidade global”, disse Antony Froggatt, da T&E ao Guardian.
“Isto continuará a pressionar as famílias e a prejudicar a economia europeia, a menos que acabemos estruturalmente com a nossa dependência dos combustíveis fósseis importados. Donald Trump e os seus aliados na Rússia e na Arábia Saudita têm muito poder, mas uma coisa que não controlam é o vento e o sol. A Europa deve agora dar prioridade aos veículos elétricos, às bombas de calor e às energias renováveis para garantir que isto nunca mais acontece”, acrescentou.
Para Colin Walker, da ECIU, “tudo isto faz lembrar muito a subida do preço do petróleo após a invasão da Ucrânia pela Rússia e é um lembrete contundente de que o Reino Unido não tem controlo real sobre o preço do petróleo. Muito se tem falado sobre segurança energética e perfuração no Mar do Norte, mas a realidade é que isso não tornará estes choques frequentes de preços mais suportáveis para os condutores britânicos”.
Os choques no preço do petróleo são extremamente rentáveis para as empresas petrolíferas e para os Estados produtores.
Em 2022, com o preço do petróleo a cotar nos 100 dólares por barril, as cinco maiores empresas cotadas em bolsa – BP, Shell, TotalEnergies, Chevron e ExxonMobil – lucraram quase 200 mil milhões de dólares. A indústria do petróleo e do gás como um todo obteve cerca de mil milhões de dólares por ano em lucro líquido durante o último meio século, e substancialmente mais em anos com preços mais elevados.
A regulamentação dos lucros extraordinários do setor energético na União Europeia recuperou parte desses lucros em 2022 e 2023, mas esta medida já expirou. A UE deve estar preparada para o reintroduzir rapidamente em caso de aumento prolongado dos preços da energia, acrescentou a Transport & Environment .
Um imposto extraordinário continua em vigor no Reino Unido, e a ministra das Finanças, Rachel Reeves, foi alertada pelos especialistas de que atender aos apelos da indústria para o flexibilizar não beneficiaria os consumidores já sobrecarregados.
Os 55 mil milhões de euros adicionais pagos pelos condutores da União Europeia em 2022 teriam sido ainda mais elevados se os governos da UE não tivessem renunciado a 30 mil milhões de euros em cortes no imposto sobre os combustíveis, um subsídio aos combustíveis fósseis essencialmente pago pelos contribuintes, sublinhou a T&E.
Diversas políticas ambientais por toda a Europa foram enfraquecidas nos últimos anos, com os políticos de direita a afirmarem que isso reduz os custos. O Transition Security Project estima que o choque energético de 2022 tenha custado à União Europeia e ao Reino Unido 1,8 mil milhões de dólares entre 2022 e 2025.
Os consultores oficiais do governo britânico para o clima afirmaram na quarta-feira que atingir a meta de emissões líquidas zero do Reino Unido até 2050 custaria menos do que um único choque petrolífero, como o decorrente da guerra na Ucrânia, e protegeria o país contra futuros picos nos preços do petróleo.
“Reverter as políticas e medidas para atingir as metas climáticas, como a eliminação gradual dos carros movidos a combustíveis fósseis até 2035, ou adiar a implementação do preço do carbono da União Europeia para o aquecimento e os combustíveis, só nos tornará menos seguros”, rematou Froggatt.